PANC: o que são e quais os benefícios das plantas alimentícias não convencionais

panc capucinha
Divulgação Secretária de Agricultura de Minas Gerais.

Quer tirar suas dúvidas sobre as plantas alimentícias não convencionais, também conhecidas como PANC? Então você está no lugar certo. Nesta matéria, você irá entender o que elas são, quais são os tipos que podem ser consumidos, seus benefícios e muito mais sobre essas plantas que podem ser tão importantes para nossa alimentação.

Você já parou para pensar qual é a variedade de alimentos que consome? Não? Então faça um teste: pense na última semana quantas hortaliças você utilizou na sua alimentação. Dificilmente esse número passará de 12, já que esse é o número de plantas que, segundo a pesquisadora Mariella Uzêda,  são a base da alimentação humana tradicional.

“Atualmente, 75% da alimentação humana se restringe a 12 plantas, das quais três são hegemônicas – milho, trigo e arroz. É muita simplificação”

Mariella Uzêda na live Sistemas Alimentares Sustentáveis: Oportunidades e Desafios feita no Youtube da Embrapa.

E o pior, segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), existem 30.000 espécies de plantas comestíveis, de 6.000 e 7.000 delas foram cultivadas para produzir alimentos. Só que infelizmente, usamos apenas 170 culturas em uma escala comercial significativa. Sendo que dependemos do milho, trigo e arroz para fornecer mais de 40% da nossa ingestão calórica diária.

Essa monotonia alimentar não é só sua culpa, já que o agronegócio concentra toda sua produção em alimentos que possam dar lucro e ser produzidos mais  rapidamente. Mas é nesse cenário que surge a oportunidade de adicionar as PANCs, o tema da nossa matéria de hoje, na sua alimentação.  

O que são plantas alimentícias não convencionais (PANC)?

O termo PANC (Plantas Alimentícias não Convencionais) foi criado pela nutricionista gaúcha Irany Arteche e foi baseado no trabalho do biólogo Valdely Ferreira Kinupp.  Elas são plantas que não são utilizadas em larga escala na culinária. Podem ser plantas silvestres que crescem espontaneamente, ou vegetais que não são comumente encontrados em mercearias.

Apesar de ainda não tão consumidas, muitas dessas plantas são comestíveis e ricas em vitaminas, minerais, fibras, proteínas e possuem atividade antioxidante sendo uma excelente alternativa para uma alimentação mais saudável.

Alguns exemplos comuns de PANCs incluem urtiga que é rica em ferro e vitamina C e E, peixinho rico em potássio, cálcio e ferro e Ora pro Nobis rica que tem cerca 25% de proteína em sua composição.

Se você está procurando ingredientes novos e interessantes para adicionar a sua alimentação, não deixe de explorar o mundo dos PANCs. No vídeo abaixo, do Projeto PANCs, você pode conhecer um pouco mais dessa história  nesse projeto elaborado por quem cunhou o termo. 

Quais plantas são PANC?

Apenas no Brasil estima-se que existam mais de 7 mil plantas comestíveis. Como essa lista ficaria muito grande, vamos listar apenas os exemplos de PANC mais conhecidas. Vamos a lista:

  • Azedinha
  • Almeirão de árvore
  • Ora-pro-nóbis
  • Peixinho
  • Amaranto e caruru
  • Anredera
  • Beldroega
  • Bertalha
  • Capuchinha
  • Cará-do-ar
  • Fisalis
  • Jambu
  • Major Gomes
  • Mangarito
  • Maxixe-do-reino
  • Muricato
  • Ora-pro-nóbis
  • Peixinho
  • Serralha
  • Taioba
  • Vinagreira

Se você quiser saber como cultivar e consumir essas PANC, a Embrapa tem ótimos guias em seu site

Quais são as vantagens e benefícios das PANCs?

Há muitas vantagens e benefícios em incluir PANCs na sua alimentação. Para te ajudar nesse momento, vamos trazer alguns desses benefícios das PANCs abaixo:

Combatem a deficiência de nutrientes

Algumas culturas que já existem há séculos são muito nutritivas. A quinoa, por exemplo, contém todos os aminoácidos necessários na dieta dos seres humanos. A bambara é uma importante fonte de proteína, e o painço é rico em cálcio e ferro. Muitas pessoas ao redor do mundo não têm acesso a quantidade ideal de nutrientes importantes como ferro, zinco, iodo, vitaminas A, B12 e D que são encontradas em muitas dessas plantas não convencionais. 

Protegem a agricultura

Ficamos vulneráveis a pragas ou doenças na monocultura. Lembra dos dados da FAO de que apenas o milho, trigo e arroz fornecem mais de 40% da nossa ingestão calórica diária? Qualquer problema nas safras deles terá um impacto gigante na alimentação global. 

Leia também:  Atemoia: benefícios, para que serve e como consumir

Ter uma maior quantidade de culturas ajudaria os produtores a poderem rotacionar as culturas e diminuir o impacto da produção de alimentos para o meio ambiente. 

Prontas para combater as mudanças climáticas

Como já falamos acima, evitar a  monocultura comercial pode ser importante para frear os dados ao meio ambiente. Isso principalmente porque essas culturas tradicionais são resistentes a condições adversas como regiões secas, solos arenosos ou altas altitudes. 

Essas culturas tradicionais serão um importante recurso tanto para aumentar a sustentabilidade do campo e para garantir a segurança alimentar das pessoas, já que podem ser produzidas em condições tão adversas que seria difícil produzir outro time de alimento.

Mantém o saber popular vivo

Muito do conhecimento popular é ignorado pelo agronegócio. Aproximar o saber das populações tradicionais a ciência do campo é essencial para o momento onde o mundo se move para práticas mais sustentáveis. 

O conhecimento tradicional das populações tradicionais, que em outros momentos pode ter sido considerado atrasado, hoje é reconhecido pela ciência e aplicado no campo. 

Possibilita a geração de renda para pequenos agricultores

A quinoa é um exemplo desse potencial para geração de renda, afinal ela era uma cultura de subsistência das populações de países Andinos como Bolívia, Peru e Equador, mas hoje são um importante gerador de renda para esses países. O Peru, por exemplo, possui 68 mil pequenos produtores de quinoa, tendo exportado US $94 milhões em 2020. 

Porque é importante consumir plantas alimentícias não-convencionais?

São diversos os motivos da importância de consumir PANCs. Em primeiro lugar, elas são muito nutritivas, sendo que algumas delas possuem antioxidantes, fibras, vitaminas e minerais que nosso corpo precisa para se manter saudável e que normalmente não são encontrados nas plantas convencionais.

Outro benefício de consumir plantas alimentícias não convencionais é que diversas culturas são mais fáceis de cultivar que os vegetais tradicionais. Elas crescem selvagens ao nosso redor, e tudo o que temos que fazer é colhê-las. Quem já teve um pé de taioba, vinagreira ou qualquer outra PANC no quintal  sabe como elas podem aliviar o bolso em momentos de aperto.

Finalmente, consumir plantas alimentícias não-convencionais são importantes para o meio ambiente e os pequenos produtores. Comendo essas plantas, estamos reduzindo nossa dependência da monocultura, o que está colocando o planeta em seu limite de geração de recursos.

Sendo assim, as PANCs são importantes não apenas pelo sabor, mas por trazer benefícios reais para sua dieta e para o planeta. 

Quais cuidados devo ter para incluir PANCs na dieta? 

Como existem muitas plantas na natureza é importante que você consiga identificar quais são as PANCs e quais são apenas semelhantes para não consumir plantas que façam mal à saúde. 

Esse conselho não serve apenas para as PANCs, mas sempre que você quiser incluir um novo alimento na dieta é importante estudar bem suas propriedades e, no caso de dúvidas, consultar alguém que tenha maior domínio sobre o tema ou um nutricionista. Só assim você vai garantir que está melhorando sua alimentação e não trazendo mais problemas. 

Onde comprar PANCs? 

Aqui no site já falamos de dois fornecedores de orgânicos: a Comuna da Terra Irmã Alberta e o Raízs. Em ambos os casos é possível comprar cestas de orgânicos que são entregues na porta da sua casa ou retiradas em pontos de distribuição.

Tire suas dúvidas

Veja abaixo a resposta para as principais dúvidas sobre PANC.

Quem criou o termo PANCs?

O termo PANC (Plantas Alimentícias não Convencionais) foi criado pela nutricionista gaúcha Irany Arteche e foi baseado no trabalho do biólogo Valdely Ferreira Kinupp

Quais são as PANCs mais comuns?

As PANCs que são mais comuns de encontrar em mercados ou restaurantes são a ora-pro-nóbis, taioba, azedinha, peixinho e vinagreira (hibisco).  Se você quer conhecer mais algumas dessas plantas, consulte o tópico “Quais plantas são PANC?”.

Como higienizar as PANCs?

Aqui não existe segredo: as PANCs devem ter  os mesmos cuidados de higiene ao das hortaliças convencionais.

Qual a PANCs que substitui a carne?

Famosa por ter cerca de 25% de proteína em sua composição, a Ora-pro-nóbis é um superalimento muito utilizado por veganos e vegetarianos como um substitutivo da proteína animal.  E não é só isso, a Ora-pro-nóbis ainda é rica em ferro, aumenta a imunidade e ajuda no controle do apetite.  

Agora que você já conhece tudo sobre as PANCs é hora de compartilhar este conteúdo com pessoas que você gostaria que conhecessem mais sobre ela.

E não esqueça, tudo que você precisa para se alimentar com saúde você encontra no Compre do Campo.

 

Leo Cruz

Especialista em criar aquilo que um dia você vai procurar no Google. Produzindo conteúdo com o objetivo de impulsionar esses pequenos produtores e incentivar a agricultura orgânica, agroecológica e familiar brasileira, com respeito ao meio-ambiente e aos animais.

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